PADRONIZAÇÃO DE SOLUÇÕES
 
Apesar de estarem disponíveis reagentes p.a. (para analise) em qualquer laboratório, mesmos estes possuem impurezas (usualmente expressas nos rótulos) e impurezas outras que o fabricante pode considerar "ignoráveis".
 
Ocorre também de várias substâncias serem deliqüescentes (perderem água), deste modo que, erros ocorrerão na medida da massa e, conseqüentemente, na concentração da solução final.

Por estes motivos, alíquotas das soluções são testadas com soluções de substâncias com características padronizadas ditas padrões primários.

    Alguns parâmetros que todas substâncias ditas padrões primários devem seguir:

Devem ser de fácil obtenção no mercado a preço razoável
Fácil de purificar, secar (110oC a 120oC), sem água na composição (de hidratação, de cristalização).
Inalterável ao ar, o que implica em uma substância não higroscópica, não-oxidável, estável ante o CO2 atmosférico. Estas características são especialmente importantes quando da pesagem e do armazenamento.
Deverá ter um equivalente-grama elevado pois, deste modo, erros referentes a manipulação e a aparelhagem serão minimizados (lembre que muitas vezes trabalha-se com precisão de 1x10-4g).
Deve ser o mais solúvel possível em condições ambiente, um dos grandes empecilhos ao uso de aquecimento são as vidrarias volumétricas.
A reação de entre o padrão e a substância em teste deve ser a mais rápida possível, ocorrer a temperatura ambiente, e ter estequiometria definida.

 

Padronização da solução de hidróxido de sódio:
 
Para este procedimento, apenas quatro ácidos são comumente usados:
Hidrogenoftalato de potássio: C6H4COOK.COOH, é um monoácido fraco, e requer como indicador a fenolftaleína (faixa de viragem de pH 8-9). Possui todas as   propriedades necessárias a um padrão primário. Pode ser obtido suficientemente puro para todas as determinações analíticas comuns de laboratório.
Ácido benzóico: C6H5.COOH , monoácido fraco, pode ser obtido em forma altamente purificada, no entanto, é um pouco insolúvel em água pura, o que pode ser contornado com soluções de álcool e água.
Ácido sulfoamínico: HSO3.NH2 , monoácido inorgânico forte o bastante para para ser utilizado com qualquer indicador cuja mudança de cor esteja restrita ao intervalo de pH 4,5-9,5. Deve ser mantido o mais seco possível.
Iodato ácido de potássio: KH(IO3)2 , é bastante satisfatório, desde que se tenha certeza sobre sua pureza. É anidro e estável, tendo um alto Equivalente-grama (390 g/mol). Tem comportamento de um monoácido forte. Os indicadores mais indicados são aqueles cuja zona de transição esteja na faixa de pH 4,5 - 9,5.
Procedimento de padronização usando o  hidrogenoftalato de potássio:
Separe duas amostras de C6H4COOK.COOH, cujas massas estejam entre 1g e 2g, com precisão de 4 casas decimais.
Identifique a respectiva massa de cada becker com etiquetas e adicione 100mL de água destilada, fervida o mais recentemente possível, (para a retirada do CO2, lembre que frascos volumétricos não podem sofrer aquecimento) lentamente até que o sal esteja completamente dissolvido.
Adicione então duas gotas de solução indicadora de fenolftaleína.
Utilizando a técnica convencional de titulações, adicione o NaOH a solução do C6H4COOK.COOH, devagar mas constante, até o primeiro indício de uma coloração rosa permanente.