Salvação da Humanidade
e seus Desdobramentos
Locais
Dedico fraternalmente este trabalho à notável companheira, batalhadora militante e gestora sócio-ambiental paranaense Dra. Laura de Jesus (CEDEA / UNEAP / SINDI / SEAB), em homenagem à sua valiosa contribuição livre, ao longo dos últimos anos, com muito esforço, denodo e pensamento inovador, em prol do ambientalismo contemporâneo.
Paulo Lucena*
As
bases da vida em nosso Planeta estão ameaçadas. O crescimento populacional, com
ele os bens naturais de manutenção às necessidades mínimas de sobrevivência,
como a água, o ar, os rios, os mananciais, as fontes naturais renováveis de
alimento... estão cada vez mais degradados, escassos, sujos e poluídos, em
razão de um comportamento ignóbil, mal-educado, esbanjador, egoístico, brutal...
do ser humano que se tornou o “inimigo público número um da natureza” e de si
próprio, numa espiral de autêntico suicídio, em especial a parcela rica em bens
materiais, que detem a hegemonia político-industrial, das Nações, cujo membro
comum da Sociedade burguesa se impõe no esbanjamento e no gozo egocêntrico e
perdulário dos bens de vida.
O
todo-poderoso e diabólico presidente nortenho da nação mais rica do
Planeta – George W. Bush – nega-se a assinar o Protocolo de Kioto, complementar
da Agenda 21 que determina o controle da emissão de gases industriais poluentes
e provocadores do “efeito-estufa” que causa o aquecimento terrestre global e
ameaça um novo dilúvio, pelo derretimento das calotas polares e geleiras das
grandes cordilheiras terrestres.
Isto
sem falar na destruição da camada de ozônio – escudo telúrico protetor da vida
contra os raios cósmicos letais – colocada por Deus entre o Céu e a Terra –
para proteger a biosfera, e que as descargas artificiais gasosas das indústrias
e dos automóveis estão esburacando.
Um
dos milhões de cidadãos(ães) comuns de classe média norte-americano, canadense,
japonês, australiano ou europeu ocidental... consome água e alimentos
nutricionais numa proporção diária cem vezes maior do que um(a) cidadão(ã)
comum da África, da Azia, da Europa Oriental, ou da América Latina e do Caribe.
O
que é a Agenda 21 das Nações Unidas que veio para subsidiar a reparação
de tamanha problemática?
É
uma agenda programática, à disposição da Sociedade Humana, a ser adotada e
implementada, para melhoria da qualidade de Vida no Planeta e equilíbrio
sócio-econômico e ambiental.
O
termo “Agenda 21” significa “uma agenda de ações e programas a facilitar e
consolidar os meios, os modos e as relações de convivência e evolução
sustentáveis da humanidade no Planeta Terra, para o Século 21”.
O
Mundo contemporâneo, desde os Anos 60, já discernia no Foro das Nações Unidas e
no coletivo de cientistas cosmopolitanos do Clube de Paris, à luz do então
vibrante embora contraditório e hoje tido como equivocado pensamento
malthusiano, diante de perspectivas escatológicas de crescimento demográfico
exponencial e as preocupações de proporcionalidade matemática da provisão
alimentícia e nutricional ao contingente humano mundial em expansão, frente às
visíveis limitações futuras dos espaços terrestres agriculturáveis e dos meios
de produção artificiais de alimento.
E
foi neste dilema humanístico global que o concerto das Nações avençou a
realização da CNUMAD-I (Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o
Desenvolvimento), que teve lugar em junho de 1967, em Helsinque-Finlândia, cuja
pauta de trabalhos, no entanto, teve inclusas, como grande ocupação plenária,
discussões emocionais sobre a sobrevivência das baleias e outros grandes
mamíferos aquáticos dos oceanos e das zonas polares, temática que absorveu
quase todo o tempo do Conclave, em detrimento da pauta sócio-ambiental
e humana.
Dentre
suas resoluções, a Conferência de Helsinque estipulou data para a chamada
Helsinque+5, que foi programada para realizar-se em Estocolmo-Suécia, em junho
de 1972, como extensão da Helsinque/67, Ai, então, seria desempenhada extensa
programação compensatória, em razão das omissões de Helsinque/67, quanto ao
meio ambiente e o desenvolvimento humano. Foi o que aconteceu no evento
marcado.
A
Conferência de Estocolmo foi um marco de consolidação das CNUMAD, como
Conclaves internacionais das Nações Unidas, em parceria com Estados nacionais
que se propusessem, segundo o consenso coletivo de então, para terem lugar a
cada 10 anos, vale dizer, a CNUMAD-II seria em 1982, a qual todavia por motivos
que se desconhece fora adiada para a Década seguinte.
A
propósito, as nações signatárias da ONU-PNUD-PNUMA, movimentaram-se nos Anos 80
para promoverem a CNUMAD-II, que aconteceria no Rio de Janeiro-RJ, de 1º a 15
de junho de 1992, 25 anos depois da Helsinque/67, reconhecida como ECO-RIO/92,
que se constituiu no maior e mais importante evento mundial já realizado na
História da Humanidade.
O
que se pode qualificar como o Documento mais relevante deliberado pelo coletivo
social da ECO-RIO/92 foi à chamada AGENDA 21 DAS NAÇÕES UNIDAS – um tratado
internacional, de características verdadeiramente proféticas e promocionais do
desenvolvimento, produto de propostas setoriais de base, originadas
sistematicamente nos setores comunitários de 176 Países, representados na
CNUMAD-II. As propostas vieram de cerca de 30 mil entidades, quase todas
representadas na ECO-RIO/92, dentre Movimentos Sociais, Organizações não
Governamentais (OnG) e Órgãos Governamentais (OG) e continham anseios e
reivindicações de todas as camadas populares de cada Nação do Planeta.
Foram
deliberadas pelo chamado Fórum Global - versão avançada da Assembléia Geral da ONU
(no paradisíaco Aterro do Flamengo-Rio-RJ), compiladas e sistematizadas por um
numeroso comitê técnico-paritário (interinstitucional) de redação e montagem,
de trezentos membros permanentes, resultando num grande-Tratado aprovado e
homologado, em nível executivo mundial, pela Cúpula da Terra
- (Titulares da Gestão Pública de todas as Nações), no Mega-Centro de
Convenções Rio-Centro – Jacarepaguá-RJ) - a resultar num volumoso compêndio
expresso de 40 capítulos, abordando todos os aspectos de contextura multidisciplinar
da Humanidade contemporânea, do social, ambiental, econômico e político a
hidro-geo-bio-diversidade; do urbanismo, saneamento, segurança e
infra-estrutura à gestão em geral e melhoria de qualidade de vida no Planeta.
Concluída, aprovada e sancionada a extraordinária Proposta, houve quem a
denominasse de “Tratado profético para salvação da Humanidade” - o Tratado do
Milênio.
Cinco anos depois, em 1997, ainda no Rio de Janeiro, o texto da Agenda 21 foi ratificado e dado então como consolidado, sob compromisso multilateral de adoção e implementação pelos Governos das Nações consignatárias da ONU, 178 representadas, presentes à chamada Conferência RIO+5.
Feliz de quem assimilar, adotar e contribuir para implementação da Agenda 21 das Nações Unidas, com a visão do Global (estratégia de planejamento) aplicada ao Local (tática de execução), com procedimentos de co-gestão popular-participativa.
NOTA PS: Este micro-ensaio é
dedicado também a todos os que, neste momento, se esforçam para adotar e implementar
Agendas 21 Locais em suas "praias", em seus "sítios", em
suas "searas".
* Paulo Lucena – Ativista sócio-ambiental, executivo da OnG Campa, é especialista em sociedade civil e foi membro ativo do Comitê interinstitucional paritário de redação e montagem da Agenda 21, no Fórum Global das Nações Unidas – ECO-RIO/92, Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro-RJ, de 01 a 15/06/1992 – representando a Fundação Universidade do Amazonas, de Manaus-AM, na gestão do então Reitor Marcus Barros hoje presidente do IBAMA. Como co-autor do Projeto REBIOMAR (Reserva da Biosfera do Marajó) Paulo Lucena empenha-se neste momento às tarefas de articulação e acompanhamento do Processo Rebiomar em seus trâmites pertinentes.
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