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Revista Interdiciplinar do Núcleo
de Pesquisa - CUBT/UFPAfgfhghhg |
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| Modalidade,
Norma e Performance em Verequete e Waldemar Henrique. (Campus Universitário do Baixo Tocantins - UFPA)
Estudar a obra de dois compositores paraenses, exigiu um esforço significativo em coletar textos principalmente orais, considerando-se principalmente a problemática central que se pretendia investigar. Primeiramente exporemos a problemática da pesquisa, em seguida detalharemos a metodologia e selaremos com breves considerações a respeito do tema em pauta. 1 - A problemática investigada
Trataremos especificamente dos dois últimos tipos de oralidade. No que diz respeito à oralidade coexistente com a escrita Zumthor diz: “a oralidade mista e segunda se fazem multiplicar em tantas variações quantos os graus existentes na difusão e no uso da escrita: uma infinidade”. Há uma infinidade de relações possíveis entre escrita e oralidade. A complexidade cultural que caracteriza as sociedades possibilita a existência de uma diversidade de relações entre escrita e oralidade, tanto nos grupos sociais em que há um predomínio da oralidade em convivência com a escrita, como nas sociedades em que há um predomínio da escrita. Por outro lado, a oralidade mediatizada pode coexistir com as duas primeiras. Desta forma, podemos considerar os textos pertencentes a Verequete e Waldemar Henrique que constituem o corpus deste trabalho como oralidade mediatizada, na medida em que os acessamos por meios tecnológicos. Tais textos, porém, podem ser e são muitas vezes 'performados' ao vivo, sem intermediação de gravação. Também consideramos os referidos textos como um tipo de oralidade coexistente com a escrita, pois se realizam numa sociedade em que a escrita é presente. Tendo em vista estes tipos de oralidade, como podemos classificar os textos de Verequete e de Waldemar Henrique? Temos uma oralidade segunda nos textos de Waldemar Henrique e uma oralidade mista nos textos de Verequete? Além disso, será que há, conforme a opinião comum, uma correlação entre as categorias oral/popular e escrito/culto? Será que o menor ou maior domínio da modalidade escrita reflete a tensão existente entre a norma culta e a popular? Em suma, pretendemos realizar um estudo comparativo da (s) linguagem (ens) usada (s) nas obras de Verequete e de Waldemar Henrique, considerando a interrelação entre a modalidade, a norma e a performance.
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| 2 - Matrizes teóricas da pesquisa 2.1 A modalidade Tanto a língua quanto as falas (no sentido de utilizações concretas da língua) podem ser orais ou escritas. Estas duas formas de expressão constituem o que muitos lingüístas chamam de modalidade. Lopes diz: “Sirva-nos de exemplo o seguinte cotejo entre as duas modalidades de expressão”. Também Kato ao discutir tais formas de expressão lingüística, utiliza o termo modalidade questionando: “Até que ponto essas duas modalidades constituem objetos autônomos?”. 2.2 A norma
Teríamos, então, vários usos da língua. Cada uso teria sua norma. Temos, então, várias normas. Entre elas destacamos a norma culta e a popular. No eixo definido pelos extremos que só existem na teoria, o puro universal e o puro regional, Verequete e Waldemar Henrique se situam cada um num ponto específico que é um aspecto próprio de sua linguagem e de sua arte. 2.3 A performance O estudo da linguagem, considerando o funcionamento desta no ato comunicativo, levará os estudiosos a discutir a performance. Na busca de compreender a performance podemos invocar Zumthor: “
A performance é a ação complexa pela qual uma mensagem
poética é simultaneamente, aqui e agora, transmitida e percebida”.
3 - A metodologia da pesquisa Entre os trinta e um textos coletados de Waldemar Henrique, dezessete foram acessados através de discos e quatorze a partir de fontes escritas. Aliás, os dezessete textos coletados através da modalidade falada (cantada) também foram acessados, ou seja, cotejados em versão impressa. Todo o material do corpus se encontra em anexos. 3.2 Organização do corpus Na numeração dos textos seguimos, à medida do possível, a cronologia dos discos, bem como a seqüência das faixas em cada um destes. Sobre esta opção devemos fazer algumas observações referentes aos textos e Verequete e Waldemar Henrique: |
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Sobre os textos de Verequete: Para os dois discos que foram gravados em 1974, registra-se em primeiro lugar aquele que não apresenta indicação de volume e em segundo lugar o que leva a menção volume II. O disco no qual não encontramos na capa ou rótulo data ou outra menção que pudesse indicar uma cronologia foi transcrito logo após os três mais antigos. Sobre os textos de Waldemar Henrique: Dentre todos os textos de Verequete e de Waldemar Henrique, selecionamos em cada parte do trabalho um número diferente para análise, em conformidade com os objetivos de cada capítulo, unidade ou sub-unidade. Por realizarmos um trabalho comparativo procuramos estabelecer um equilíbrio entre o número de textos estudados de cada compositor. Precisemos o que chamamos de texto. Seguimos a terminologia proposta por Zumthor: A obra é aquilo que é comunicado poeticamente, aqui e neste momento: texto, sonoridade, ritmos, elementos visuais; (...) contempla a totalidade de fatores da performance. O poema é o texto e neste caso, a melodia da obra sem levar em conta outros fatores. O texto(...) a seqüência lingüística percebida auditivamente. Assim, poderemos considerar ora o simples texto; ora o poema, ou seja, o texto na sua coexistência ( e eventual interferência) com a melodia; ora a obra, ou seja, o texto na sua relação com todas as dimensões da performance, mas em todo caso o elemento central da análise será o texto. 3.3 A transcrição a.3) Parênteses b) Registramos os processos fonético- fonológicos observados,
tais como a síncope, a apócope, a neutralização
e o alongamento, modificando a grafia dos vocábulos. A apócope
pode ser observada no exemplo abaixo: Onde se lê ‘siNHO’ em vez de ‘senhor’. |
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c.3) Nos casos em que há o deslocamento do acento tônico,
devido ao canto, ou seja, quando ao se cantar, uma palavra apresenta seu
acento deslocado, registramos esta mudança marcando (sobrescrita)
a sílaba para a qual a tonicidade se desloca: carimbó uirapuru:
da vila di icoaraci: (coro) No exemplo acima, os dois primeiros e os dois últimos versos se
referem à primeira pessoa (eu). Já o terceiro, o quarto,
o quinto e o sexto referem-se à terceira pessoa (a balança).
Também consideramos a pausa existente entre a realização
de um grupo de versos e outro, preenchida pela execução
instrumental, como um fator delimitador da estrofe: W.07 (26 segundos instrumentais) ade:us, aMO:, adeus. O intervalo de vinte e seis segundos entre um grupo de versos e outro
se mostrou como um fator delimitador entre os dois grupos de versos acima.
Nestes dois grupos também a rima concorreu para delimitação
de cada estrofe. boa NOIti siNHO i sinhora 4 x. Ao investigarmos os vários extratos lingüísticos (do aspecto fonético até o semântico-pragmático) que constituem a obra de Verequete e a de Waldemar Henrique percebeu-se não se poder estabelecer uma oposição discreta entre a oralidade segunda e a mista, nem entre a norma culta e a popular, e nem mesmo entre o uso (performance) artístico e o não-artístico da língua.
BENVENISTE, Émile. Problemas de lingüística geral II. Trad. de Eduardo Guimarães.../et alii; Revisão técnica de tradução Eduardo Guimarães. Campinas, SP: Pontes, 1989. DUBOIS, Jean et alii. Dicionário de Lingüistica. Trad. Frederico et alii. São Paulo: Cultrix, 1997. DUCROT, Oswald; TODOROV, Tzvetan. Dicionário enciclopédico das ciências da linguagem. São Paulo: Perspectiva, 1977. JAKOBSON, Roman. Lingüística e comunicação. Trad. Isidoro Blikstein e José Paulo Paes. 8a ed.. São Paulo: Cultrix, 1988. LOPES, Edward. Fundamentos da lingüística contemporânea. São Paulo: Cultriz, 1997. KATO, Mary. No mundo da escrita. 4a ed. São Paulo: Ática, 1993. ZUMTHOR, Paul. Introdução à poesia oral. Trad. Jeruza Pires Ferreira e Maria Lúcia Diniz Pochat e Maria Inês de Almeida. São Paulo: Hucitec, 1997. |