Segurança em laboratório químicos

e noções de primeiros socorros

Equipe de Química Orgânica

do Depto. de Química do CCEN/UFPA

Um laboratório de química pode ser uma das áreas de trabalho mais perigosas, especialmente quando o laboratório não é tratado com respeito. Neste texto discutiremos os procedimentos de segurança que devem ser usados quando o tempo é insuficiente para buscar auxilio fora do laboratório.

É importante saber a localização das pessoas e equipamentos necessários quando um acidente de laboratório exigir assistência especializada. Os seguintes números de telefone devem ser acessíveis ao responsável pelo laboratório, de modo que possa ser acionado com rapidez, o auxilio preciso:

Ambulância: _______________

Bombeiros: ________________

Posto médico mais próximo: _____________

Hospital mais próximo: _____________

Médico mais próximo: _________________

A maioria dos seguintes equipamentos deve ser facilmente acessível no laboratório de química. É possível haver variações da lista em vista de regulamentos locais de segurança:

Cobertor antifogo

Extintor de incêndio

Lava-olhos

Chuveiro

Caixa de primeiros socorros

Lavatório para queimaduras de ácidos ou de álcalís.

É obrigatório que todos os acidentes de laboratório sejam comunicados à direção, quer tenham recebido tratamento especializado, quer não. Também é importante que a pessoa acidentada e remetida a tratamento especializado tenha um acompanhamento; no caso de a pessoa acidentada ter um desmaio o acidente pode ficar, com facilidade, muito mais grave.

Alguns venenos usuais e os sintomas que induzem

Âcidos e álcalís: Queimam e corroem os tecidos com que entram em contato e, em casos extremos, podem fazer um orifício na parede estomacal.

Alcool: Atua como enérgico depressor do sistema nervoso central.

Cianeto: A não ser em doses muito pequenas, provoca o colapso da vítima. A morte é rápida em consequência da paralisia respiratória. Pode ser ingerido ou absorvido por um ferimento ou através da pele. É usado em certos formicidas.

Cianeto e monóxido de carbono: Provoca a morte por asfixia em virtude de combinação com o sistema carreador do oxigênio no sangue, o que impede a transferência do oxigênio para partes vitais do organismo humano.

Sulfeto de hidrogênio: Gás inflamável e venenoso, com cheiro de ovos podres; perceptível na diluição de 0,002 mg/l de ar. Muito perigoso. Pode provocar o colapso, o coma e a morte em alguns segundos depois de apenas uma ou duas inspirações. É insidioso, pois o olfato fica insensível ao seu cheiro depois de exposição prolongada. As concentrações mais baixas provocam irritação das mucosas, dor de cabeça, enjoo e fadiga.

Chumbo: O envenenamento agudo pelo chumbo pode provocar anorexia, vômitos, mal-estar, convulsões e injúria permanente no cérebro. Os casos crônicos evidenciam-se pela perda de peso, fraqueza e anemia.

Mercúrio: Perigoso por ser razoavelmente volátil (pressão de vapor de 0,002 mmHg a 25ºC) e facilmente assimiláveis pelas vias respiratórias, pela pele e pelo tubo digestivo. O envenenamento agudo pelo metal, ou seus sais, provoca ferimentos na pele e nas mucosas, náusea aguda, vômitos, dores abdominais, diarreia sanguinolenta, lesões nos rins e morte num lapso de dez dias. O envenenamento crônico provoca inflamação da mucosa bucal e das gengivas, salivação abundante, queda dos dentes, lesões nos rins tremores musculares, espasmos, depressão e brutas alterações de personalidade, irritabilidade e nervosismo. Antídoto: dimercaprol (BAL: Britsh anti-lewisite).

Álcool metílico: Tem um efeito especifico de degeneração do nervo óptico que pode provocar lesão permanente e cegueira, mesmo quando a quantidade assimilada tiver sido pequena.

Fenilhidrazina: Provoca a hemólise dos eritrócitos.

Piretrina: Encontrado em certos inseticidas. Provoca hiperexcitabilidade, descoordenação e paralisia dos músculos e das ações respiratórias.

Nitrato de prata: O contato com a pele ou com as mucosas pode ser cáustico e irritante. A ingestão pode causar severa gastroenterite e até a morte.

Na maioria das Universidades existem postos de atendimento de urgência, com ambulância e primeiros socorros.

A maior parte dos reagentes de laboratório é venenosa; é importante ter uma certa compreensão sobre os sintomas provocados pelos venenos (lista acima). Quando se pode determinar o tipo de veneno que a pessoa assimilou, pode-se consultar uma listagem para ver se deve ou não ser provocado o vômito. Na lista abaixo estão relacionados venenos para os quais não se deve provocar o vômito. Nestes casos, o vômito faria com que o veneno corrosivo retornasse mais uma vez através dos delicados tecidos do aparelho digestivo. Nestas circunstâncias devem ser administrados líquidos, para diluir o material venenoso, conforme as instruções da lista abaixo. Na lista seguinte estão os venenos que requerem a indução de ação emética. Em ambos os casos são apresentadas as providências a tomar.

É imprescindível que um médico seja procurado com urgância, em qualquer caso.

Venenos cujo tratamento não deve envolver ações eméticas

NÃO PROVOQUE VÔMITO...

...Quando a vitima ingeriu qualquer das substâncias listadas abaixo. Administre leite ou água; 1 a 2 xícaras no caso de crianças de 1 a 5 anos, e até 1 litro para maiores de 5 anos.

Ácidos fortes Fluidos de lavagem a seco

Amônia Gasolina

Benzeno Hipoclorito de sódio (água sanitária)

Cal (óxido de cálcio) Nafta (éter de petróleo)

Carbonato de Sódio

Óleo de pinho

Creosoto (creolina, fenóis)

Querosene

Desinfetantes fenólicos

Soda (hidróxido de sódio)

Detergentes

Soda para lavagem (barrilha)

Estriquinina

Thiner e removedores de tintas

 

Venenos cujo tratamento envolve ação emética.

Provocar o vômito excitando o fundo da garganta.

PROVOQUE VÔMITO...

Álcool (etílico, isopropílico, desnaturado, metílico)

Bórax

Cânfora

Formaldeído

Repelente de insetos.

PROCEDIMENTOS PADRONIZADOS DE PRIMEIROS SOCORROS:

Ferimentos

Objetivo: Proteger o ferimento de infecç5es e controlar as hemorragias.

Primeiros socorros: Usar pensos esterilizados e pressionar o ferimento até o término da hemorragia.

Estado de choque

Objetivo: Manter o paciente deitado e em posição confortável.

Sintomas: Pele húmida e pálida, respiração pouca profunda, olhos sem brilho, pulso fraco.

Primeiros socorros: 1. Manter o paciente deitado com os pés elevados quando não houver lesões na cabeça ou no tórax. 2. Cobrir o paciente com cobertores (não provocar transpiração) 3. Administrar água para mitigar a sede.

Respiração artificial

Objetivo: Desobstruir e manter livres as vias respiratórias, provocar o aumento e a diminuição alternados do volume torácico.

Sintomas: Ausência de respiração em virtude de choque elétrico, ou de afogamento ou de envenenamento provocado por gases.

Primeiros socorros: Empurrar o maxilar inferior para frente e inclinar a cabeça do paciente para trás. Fechar as narinas da vitima. Soprar ar para o interior dos pulmões pela boca da vítima. Afastar a boca e deixar a vítima expirar o ar. Repetir a operação de 15 a 20 vezes por minuto.

Venenos

Objetivo: Diluir o veneno e induzir o vômito, exceto quando isto for desaconselhável.

Sintomas: Queimaduras em torno da boca, frasco esvaziado.

Primeiros socorros: Diluir com água ou leite, induzir o vômito com solução concentrada de bicarbonato de sódio ou com dedo na garganta da vítima. Antídoto universal: 1 parte de chá forte, 1 parte de leite de magnésia, 2 partes de pão carbonizado (ou carvão ativo) . Não provoque o vômito se a vitima engoliu um ácido forte, ou querosene ou estriquinina. Verifique em todos os rótulos dos frascos o antídoto recomendado.

Fraturas

Objetivo: Manter imóvel os ossos fraturados e as juntas adjacentes.

Sintomas: Dor, inchaço ,deformação.

Primeiros socorros: Use um material rígido, uma almofada ou um cobertor, e entale como estiver.

Transporte da vitima: :Se for necessário deslocar a vítima, não curve, nem dobre, nem sacuda o paciente. Arraste a vítima sobre um cobertor, ou um casaco ou um tapete; use uma cadeira, uma maca ou várias pessoas para transportá-la e não provocar outras lesões.

Queimaduras:

Objetivo: Mitigar a dor e impedir infecção.

Sintomas: Do 1º grau - vermelhidão; do 2º grau - bolhas; do 3º grau - lesão profunda do tecido.

Primeiros socorros: Cobrir a vítima com uma camada espessa de penso seco e estéril. Queimaduras químicas: lavar com água.

Desmaio

Faça a pessoa deitar supina (de peito para cima) ou então com a cabeça entre os joelhos e respirar profundamente. Use, se for acessível, suavemente, um frasco de amônia como inalador.

Ataque cardíaco

No caso de a pessoa ter medicação própria, administre-a; mantenha a pessoa deitada, respirando com facilidade. Chame o médico.

PROCEDIMENTOS DE SEGURANÇA:

1. Trabalhar com atenção.

2. Conservar a ordem e limpeza de laboratório.

3. Fazer o relatório de cada aula prática.

4. Não utilizar o laboratório na ausência do professor.

5. Não aquecer solventes inflamáveis com chama ou próximo de uma. No caso de refluxo ou destilação usar disco ou manta elétrica.

6. Ao acender o bico de Bunsen, conservá-lo a uma distância conveniente. Nunca deixá-lo aceso se não estiver sendo usado.

7. Não aquecer um sistema fechado.

8. Ao submeter um líquido a ebulição durante um certo período de tempo, em recipiente aberto, utilizar sempre pedras de ebulição, o que evitará derramamento do líquido e possíveis queimaduras.

9. Ao misturar ou aquecer substancias, conservar o rosto o mais distante possível das mesmas. Se a operação for feita em tubo de ensaio, não dirigir a abertura do mesmo para outras pessoas presentes no laboratório.

10. Na armação de uma aparelhagem use sempre suportes, garras, aros, tripés e blocos de madeira. Evite arrumações instáveis.

11. Nunca aspirar nem provar substâncias desconhecidas. Também não misturá-las sem ordem do professor.

12. Substâncias que desprendam vapores irritantes ou venenosos, devem ser manipuladas na capela.

BIBLIOGRAFIA:

Baptista, Maria João. Segurança em laboratórios químicos. Lisboa, ed. Universidade Nova de Lisboa, 1979.

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