
Biometria
- Bioestatística - EDAP
Duas amostras pertencem a mesma população?
É o mesmo que perguntar: as amostras são
homogêneas? Seus elementos podem ser
adicionados?
Para responder essas perguntas, deve-se comparar as variâncias e
as médias das
amostras., pois duas amostras pertencem à mesma
população se:
1. as suas
médias
não
diferem significativamente (
1
=
2
) e
2. as suas
variâncias
não diferem significativamente ( s21
= s22 )
Portanto, para se verificar se esses
valores obtidos na amostra são estatisticamente iguais
compara-se:
1. as variâncias e
2. se as variâncias
não
forem estatisticamente diferentes, compara-se as médias
Comparação entre duas variâncias
Um teste que pode ser feito para comparar
variâncias é o Teste F, proposto por Snedecor, em 1934, em
homenagem a Fisher, em que:
F = razão
entre a maior
variância
e a menor variância, ou seja:
F = s2maior
/ s2menor
Consulta-se a tabela
de F, ao nível de 2,5%,
para encontrar Fc. Usa-se o seguinte critério:
F <
Fc
As variâncias não
diferem significativamente. |
Fc |
F > Fc
As variâncias diferem
significativamente. |
Se as variâncias forem diferentes, com certeza as amostras
são heterogêneas e não é necessário
continuar o teste.
Se as variâncias não forem estatisticamente diferentes,
continua-se, efetuando:
Comparação entre 2 médias
Pode ser utilizado o seguinte teste
t:
t = (
1
-
2
) / raiz ((s21
/ n1) + (s22 / n2))
em que
1
= média maior e
2 =
média menor
O teste t
Ao se aplicar o teste, quer-se saber se os valores de x1
são,
em média, iguais aos valores de x2.
Há dois tipos de teste:
- bicaudal - utilizado quando
interessam
os resultados de ambos os lados da curva
e
- monocaudal - usado quando
interessam os resultados de apenas um lado da curva.
Como desejamos saber se as médias são diferentes o
teste será do tipo bicaudal.
Ao realizar o teste, chega-se a 2
valores
de t:
1. O t crítico ( tc
) encontrado na tabela de t
e lido
- na linha correta de GL (em que GL
= número de pares -1)
- na coluna de 5%, se o teste for
bicaudal (alfa do teste = 5%) e
- na coluna de 10%, se o teste for
monocaudal, para manter o alfa do teste em 5%, já
que a tabela é bicaudal.
Portanto, procura-se o valor do t
crítico
( tc ):
| Teste |
na linha
|
na coluna
|
| Bicaudal |
correspondente a n-1
graus de
liberdade
|
5%
|
| Monocaudal |
idem
|
10%
|
2. O t calculado, usando as
fórmulas
abaixo
desvio = d = x1
-
x2
d médio =
=
d
/
n
erro da média =
sd =
raiz(
d2
- [(
d)2
/
n] / n(n-1)
t = d
médio
/ erro da média =
/
sd
Estabelece-se as hipóteses:
H.
Nula: A
média dos desvios ( )
é igual a zero. |
 |
| H.
Alternativa:
A média dos desvios é diferente de zero. (Teste
bicaudal) |
ou |
| H.
Alternativa:
A média dos desvios é maior que zero. (Teste
monocaudal
1) |
ou |
| H.
Alternativa:
A média dos desvios é menor que zero. (Teste
monocaudal
2) |
 |
Para o teste bicaudal a análise é feita
com
base nesses critérios:
t
<
- tc
rejeita-se a hipótese
nula. |
-
tc |
-
tc < t < +
tc
aceita-se a hipótese
nula |
+
tc |
t >
+ tc
rejeita-se a hipótese
nula. |
Para o teste monocaudal a análise é feita
com
base nesses critérios:
| Se t
< tc aceita-se a
hipótese
nula. |
tc |
Se t
> tc
rejeita-se a hipótese nula. |
O t calculado e o t crítico (tc)
O valor calculado para t deve ser comparado
com o valor tabelado de t crítico e determinada a sua
probabilidade.
É
importante perceber que o
valor de t crítico (tc) depende da
hipótese
alternativa:
Como
,
o teste é bicaudal, ou seja, interessam valores de
t
> 0 e < 0.
Exemplo 1
Foram medidas as
distâncias
interpupilares em 2 amostras, uma masculina (1) outra feminina (2). Que
se pode dizer sobre essas distâncias nos dois sexos?
| Amostra 1 |
Amostra 2 |
| n1
= 100 |
n2
= 131 |
1
= 62,02 |
2
= 59,20 |
| s21 =
8,00 |
s22 =
7,61 |
a. Comparação entre as duas variâncias
F(99,130) = 8,00 /
7,61
= 1,05
Fc (99,130) =
1,27
Como F < Fc
, as variâncias não são diferentes. Portanto,
passa-se
à:
b.
Comparação entre as duas médias
Estabelece-se as hipóteses:
Hipótese Nula:
-
= 0 ou seja,
H. Alternativa:
- 
0 ou seja,
(teste bicaudal)
Encontrando tc
n1 + n2 = 100
+ 131 = 231. Portanto, gl = 231 - 1 -1 = 229.
Procurando tc na
coluna de 5% e na fileira de infinito, encontra-se:
tc
= 1,96
Calculando t
Calcula-se t(229)
= (
1
-
2)
/ raiz (s21
/ n1
+ s22 / n2)
t = (62,02 -
59,20) / raiz
(8,00 / 100 + 7,61 / 131) = 7,589, com P < 0,001
<>
Como t > tc
rejeita-se H0 e aceita-se Ha, ou seja, as
médias são estatisticamente diferentes.
Portanto, nesse caso observa-se que as amostras não são
homogêneas. Conclui-se
que a distância interpupilar mostra uma diferença sexual
significativa entre os sexos. Ou seja, a distância interpupilar
dos homens
(amostra 1)
é maior que a das mulheres (amostra 2), já que sua
média
é maior.
Note-se que se outras
hipóteses
poderiam ter sido estabelecidas:
Hipótese Nula:
-
= 0, ou seja, 
H. Alternativa:
-
> 0, ou seja,
(teste monocaudal)
Nesse caso, o tc seria
lido na
coluna de 10% e na fileira de infinito, tc =
1,645
E o t calculado,
evidentemente,
continua a ser 7,589.
Como t >
tc rejeita-se H0 e
aceita-se
Ha.Conclui-se que as amostras não são
homogêneas. Portanto, admite-se que a
distância
interpupilar mostra uma diferença sexual significativa.
Exemplo 2
Em 2
amostras foi analisada a mesma variável, com
distribuição
normal e obteve-se:
| Amostra 1 |
Amostra 2 |
| n1 = 10 |
n2 = 20 |
| s21 =
8,10 |
s22 =
2,02 |
| gl 1 =
9 |
gl2
=
19 |
Fc (9,19) = 2,88
F(9,19) = 8,10 / 2,02
=
4,01
Como F obtido (F(9,19) =
4,01) é maior que Fc (Fc (9,19) = 2,88)
conclui-se
que as variâncias são diferentes.
Nesse caso, como as
variâncias
já são diferentes, não é preciso continuar
a análise e admite-se que as amostras não pertencem
à
mesma população, ou seja, que não são
homogêneas.
Casos especiais:
Em casos raros é
necessário
fazer a comparação entre 2 médias de amostras com
variâncias diferentes. O método é o mesmo, mas deve
ser usada uma fórmula especial para o cálculo de t
(Cochrane Cox, 1950). Para amostras que apresentam
distribuição
de Poisson também há um modo especial de calcular.


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alteração: 20 mar 2009