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Antes da exibição dos filmes, são distribuídas fichas para subsidiar os participantes para o debate
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por Mayara Albuquerque / Janeiro e Fevereiro 2013
foto Alexandre Moraes
Promover a reflexão e o questionamento de questões filosóficas e socioculturais, por meio de exibições de obras cinematográficas, é o objetivo do Projeto de Extensão “Troca de Olhares: As Interfaces entre Cinema e Filosofia”. Desde 2011, coordenado pela professora Verônica Capelo, do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Universidade Federal do Pará (UFPA), o projeto tenta articular a narrativa cinematográfica e as tecnologias da informação e, ao mesmo tempo, formar espectadores críticos, que vejam o cinema além dos traços estéticos. “Ao escolhermos o cinema como elemento de mediação no processo do ensino da Filosofia, procuramos evitar a instrumentalização didática do cinema, ou seja, usá-lo apenas para ilustrar ou reafirmar um conteúdo para deixá-lo mais digerível, atraente ou acessível. Nós fazemos uma análise que privilegia tanto o cinema quanto a Filosofia”, explica.
Verônica Capelo afirma, ainda, que a ideia é desenvolver no público uma educação do olhar, que leve a conjugar o prazer e o encantamento proporcionado pela narrativa cinematográfica, com a atenção requerida por um saber, que é a Filosofia, de modo que abra caminhos para interpretar o que imagens, sons e discurso cinematográfico verdadeiramente expressam. “Assim como para fazer a análise de um livro é preciso saber quem é o autor, para fazer a análise de um filme, é preciso saber sobre o diretor. O expectador precisa prestar atenção no discurso cinematográfico, ou seja, nos elementos que ele utiliza. Nós buscamos educar o olhar aprendendo a ver o cinema de uma forma diferente, mostrando qual a intenção e o porquê de determinados elementos serem utilizados. Há emoção na Filosofia e razão no cinema. É isso que queremos passar”, afirma.
Bolsista do projeto, Felipe Sampaio afirma que a união das áreas é um dos maiores atrativos, além da liberdade para a interação. “Nós procuramos estimular o intercâmbio de conhecimento, em debates após as sessões, refletindo sobre o filme exibido e as possibilidades de discussão provenientes. Essas dinâmicas, essa troca de olhares são fundamentais para nós”. Para ele, o conhecimento adquirido e repassado também justifica o esforço com o projeto. “Eu era um leitor cinematográfico comum, o interesse pela Filosofia me trouxe esse interesse em saber mais sobre o cinema. O projeto também nos mostrou outro ramo no mercado de trabalho”, conta.
Exibição do filme, debate e minicursos são os três pilares
A estrutura do projeto é formada por três eixos: a exibição dos filmes na UFPA, seguidos de discussão aberta ao público, a partir do viés filosófico; minicursos sobre cinema e atuação do grupo na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Frei Daniel, localizada no bairro Guamá. A professora explica que os filmes são escolhidos de acordo com unidades temáticas ou constelações conceituais. Para a discussão, são utilizadas metodologias diferentes na UFPA e na Escola Frei Daniel, em virtude dos diferentes perfis do público-alvo. “Nós tentamos escolher um filósofo cuja obra possa nos ajudar a analisar o filme. Por exemplo, no filme Escritores da Liberdade, de Richard LaGravenese, nós tomamos como eixo temático para o debate a violência na escola, a crise da autoridade do professor, o bullying e a descoberta do mundo por meio da leitura e da escrita. A partir desses eixos, o público inicia uma discussão levando em consideração o viés teórico dos autores que são levados por nós”, explica.
Antes de cada exibição, são disponibilizadas, para cada um dos participantes, fichas técnicas, sinopses e uma bibliografia básica. Além de Escritores da Liberdade, estão entre os filmes exibidos pelo grupo Cinema Paradiso, de Giuseppe Tornatore; Músicas do Coração, de Richard Trank; e O Garoto, de Charles Chaplin.
Os minicursos, efetuados na UFPA, foram divididos em quatro módulos, com 12 horas de duração cada: “Breve História do Cinema”, que abordou os primórdios do cinema até a era do cinema digital; “Dados Introdutórios sobre o Discurso Cinematográfico”, os elementos do discurso cinematográfico, tais como argumento, roteiro, plano-sequência, montagem, entre outros; “O Cinema Brasileiro de 1940 a 1960: As Aventuras da Atlântida e da Vera Cruz”, os primórdios do cinema nacional brasileiro e as companhias cinematográficas: Cinédia, Atlântida e Vera Cruz; e “Gêneros e Escolas Cinematográficas”, os gêneros cinematográficos drama, comédia, aventura, suspense e as escolas cinematográficas, como o expressionismo alemão e o naturalismo hollywoodiano. Ao final de cada módulo, foi aplicado um questionário para avaliar o trabalho, além de ter sido distriuído certificados para os participantes.
Atividade aproxima a comunidade externa da Academia
Também bolsista do “Troca de Olhares”, Filipe Alves conta sobre os depoimentos dados pelos participantes do projeto. “Tivemos uma aluna moradora dos arredores da Universidade, a qual falou que, até então, nunca tinha vindo à UFPA por acreditar ser um ambiente intelectual, onde ela iria se sentir diminuída. Ela afirmou que, depois de participar do projeto, iria começar a participar dos projetos da Universidade. Que nós lhe ensinamos a ver o cinema de outra forma. Essa retribuição é gratificante para nós,” relata.
Além da discussão dos filmes e dos minicursos, o grupo promoveu a criação de um curta mostrando os diferentes processos de desenvolvimento do projeto; um artigo, que será encaminhado para publicação e, em 2011, a coordenadora Verônica Capelo orientou a primeira monografia, a qual reuniu os temas Cinema e Filosofia, na Faculdade de Filosofia (Fafil). Os próximos passos são criar um blog do projeto, para mostrar a união entre os dois temas e informar as atividades sobre cinema realizadas em Belém, bem como reforçar a atuação na escola, por meio da adaptação dos minicursos para os estudantes.
Para a professora Verônica Capelo, o projeto auxilia na formação acadêmica dos alunos na medida em que fornece subsídios para uma compreensão dos problemas, suscitando novas perspectivas de interpretação do real e possibilitando a escolha de temáticas sintonizadas com questões atuais.
Informações: O Projeto “Troca de Olhares: As Interfaces entre Cinema e Filosofia” realiza uma a duas sessões por mês, na Escola Frei Daniel e na UFPA. As datas são divulgadas por meio de cartazes espalhados pela Universidade, pelo site da UFPA e por avisos orais nos pavilhões. Interessados podem entrar em contato pelo e-mail:
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, pelo Facebook do projeto www.facebook.com/trocadeolhares ou pelos telefones 8144-1653 e 8315-3126.

Sou Lucineide Nascimento, trabalho em um projeto do IEMCI/UFPA que envolve autobiografia e cinema e gostaria de ser informada quanto a programação de vocês.
Um abraço.
Lucineide
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