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Liga Acadêmica Paraense de Enfermagem do Trauma realizam treinamento com a Cruz Vermelha
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por Jéssica Souza / Janeiro 2012
foto Fotos Acervo do Projeto
Eles ultrapassam obstáculos, correm contra o tempo, ajudam a salvar vidas e a diminuir o risco de acidentes. Eles promovem ações educativas, assistência à comunidade e pesquisas científicas. Eles são a Liga Acadêmica Paraense de Enfermagem do Trauma (LAPAET), da Faculdade de Enfermagem do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Pará. Qualquer semelhança com a Liga da Justiça – equipe de super--heróis criada pela editora americana DC Comics – pode não ser mera coincidência.
A Liga é uma entidade primordialmente estudantil, a qual tem à sua frente um grupo de estudantes dedicados a aprofundar-se na temática do trauma e atender as demandas da população e da comunidade acadêmica sobre o assunto. A Lapaet foi criada em 2011 com o objetivo de complementar as atividades curriculares e colaborar para a melhoria do Projeto Político Pedagógico do curso de Graduação em Enfermagem da UFPA, proporcionando a aplicação prática da teoria estudada em sala de aula. Em outubro passado, o grupo atuou com a Cruz Vermelha realizando atendimentos durante o Círio de Nazaré.
Inspirados nas atividades já desenvolvidas pela Liga Acadêmica de Urgência e Emergência do Pará (LAUEP) e pela Liga Paraense do Trauma (LPT), vinculadas ao curso de Medicina da Universidade, os estudantes do curso de Enfermagem formaram a sua própria Liga. Na área de Enfermagem, a LAPAET é a terceira da Região Norte e a primeira do Pará. O grupo tem 21 membros, 15 efetivos e seis integrantes da Diretoria. A professora Thalita Fernandes, da Faculdade de Enfermagem da UFPA, é a preceptora da LAPAET e o professor Adson Hugo Soares é professor-colaborador.
"Escolhemos o trauma para ser o assunto principal da nossa Liga devido à necessidade da própria Faculdade de complementar a grade curricular sobre o assunto. Além disso, a escolha justifica-se diante da incidência do trauma. Fizemos uma pesquisa e verificamos que é possível prevenir o trauma em 100% dos casos e que o custo com o tratamento do paciente traumatizado é bem maior do que com campanhas de prevenção. A nossa Liga quer prevenir o trauma e oferecer capacitações práticas para que cada vez mais pessoas possam assistir esses pacientes", explica Jéssica Gomes, estudante do sexto semestre de Enfermagem e presidente da LAPAET.
Grupo cria oportunidades para unir teoria à prática
O foco da LAPAET é a assistência em saúde, por isso também trabalha com aulas e demonstrações práticas de socorro, resgate e salvamento de um modo geral. "A Liga também oferece oportunidades de pesquisas aos estudantes. Dentro da Liga, poderemos desenvolver Trabalhos de Conclusão de Curso e projetos de extensão", continua Jéssica. "Realizamos, ainda, cursos de capacitação para agentes de saúde em Belém e no interior", acrescenta. Entre as ações de 2011, o grupo promoveu o I Simpósio de Traumatologia, o I Seminário das Ligas em Evidência, a I Jornada do Trauma, o I Curso Teórico-Prático do Trauma e o I Simpósio de Urgência e Emergência Pediátrica.
Segundo Jéssica Gomes, há quem pense que o trauma acontece somente quando há alguma fratura ou machucado, quando, na verdade, queimaduras, afogamentos e intoxicações também fazem parte do trauma. Desse modo, a Liga dá visibilidade à Enfermagem, profissão que nem sempre recebe a atenção que merece. "A Enfermagem forte. É isso o que nós queremos", ressalta a presidente da LAPAET.
Para 2012, a meta do grupo é estabelecer parcerias com a Secretaria do Estado de Saúde Pública (Sespa) para que os membros da Liga possam estagiar no Hospital Metropolitano de Belém. A ideia é intensificar o aprendizado sobre o atendimento ao paciente traumatizado. A inserção no Hospital Metropolitano deve favorecer pesquisas de levantamento de dados epidemiológicos e a elaboração de projetos de extensão.
Tradicionalmente, os enfermeiros são comparados com anjos, salvadores e até com super-heróis. É aquele que está diretamente ligado ao paciente e sempre pronto para ajudar. Os integrantes da LAPAET acreditam que podem ser super-heróis. "Eu me comparo a um super-herói, porque tenho que fazer várias coisas ao mesmo tempo. Se eu pudesse, seria o Naruto, que se multiplica. Às vezes, gostaria de ser mais de uma pessoa para dar conta de tudo que tenho que desenvolver", afirma Marcelo Silva, diretor científico da Liga.
No Brasil, a primeira liga foi criada em 1920
A LAPAET foi estruturada para ser um grupo permanente. Haverá eleições anuais para a presidência e para os membros da Diretoria, embora os fundadores da Liga sejam membros vitalícios. Atualmente, o grupo se prepara para participar de congressos apresentando trabalhos sobre o trauma, além de iniciar um projeto de pesquisa voltado para a assistência à saúde da população ribeirinha. A proposta é desenvolver técnicas que possam favorecer o pronto atendimento, em casos de urgência, com recursos existentes na própria comunidade e na natureza.
De acordo com o diretor científico, Marcelo Silva, a primeira liga acadêmica, a Liga de Combate à Sífilis, foi criada no Brasil, em 1920, com a finalidade de prestar assistência e informação às comunidades sobre a doença. A segunda foi a Liga de Trauma da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB), da Universidade de São Paulo (USP), desde então, as ligas acadêmicas começaram a surgir em maior número, sempre vinculadas aos cursos de Medicina.
"Até antes da Ditadura, as ligas não tinham reconhecimento ou legitimidade. Com o surgimento de movimentos sociais no momento Pós--Ditadura e com a Constituição, que estipulou os princípios e as diretrizes da Educação, criou-se o princípio de indissociabilidade entre Ensino, Pesquisa e Extensão e as ligas puderam mostrar suas ações para suas universidades e para o próprio Ministério da Educação, ganhando, dessa forma, legitimidade e reconhecimento como ferramenta útil para o Ensino", explica Marcelo Silva.
Enfermagem na UFPA
Na UFPA, o curso superior de Enfermagem foi criado em 1975, pela Resolução nº 322 do Conselho Universitário, e tem a duração de quatro anos e meio. A Universidade também dispõe de um curso de Mestrado em Enfermagem. Para mais informações, acesse o site do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem: www.ppgenf.ufpa.br.
