Tratamento e prevenção PDF Imprimir

Seis vezes mais potente do que a cocaína, crack é
mais barato e provoca rápida dependência física

por Ericka Pinto /Junho 2011
foto Vildan Uysal/ Stock Xchng


Uma equipe multiprofissional, formada por médicos, enfermeiros, psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais e outros profissionais da Universidade Federal do Pará (UFPA), vai compor uma das frentes de trabalho de combate ao crack no Estado do Pará. Essa equipe será responsável pela capacitação de todos os profissionais da área da saúde que irão atuar no acolhimento e tratamento de usuários de drogas e na orientação às famílias dos pacientes. A ação faz parte do Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e a Outras Drogas, lançado em maio do ano passado pelo governo federal. O Plano prevê a criação de Centros Regionais de Referência no Combate ao Crack em todo o país e conta com a parceria de várias instituições, entre elas, a UFPA.

No Pará, a expectativa é que,ainda neste mês de junho, sejam liberados recursos na ordem de R$ 300.000,00 para o início das atividades, que consistem em cursos, palestras, seminários, oficinas e reuniões para os profissionais de saúde. A capacitação será orientada pela equipe da Universidade, sob a coordenação do professor Benedito Paulo Bezerra, doutor em Psiquiatria pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

O espaço para a realização das capacitações será o Hospital de Clínicas Gaspar Viana, referência em Psiquiatria no Estado. Segundo o professor, essa preparação profissional para o atendimento ao usuário de drogas é fundamental para o processo de acolhimento e tratamento do paciente nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e nos Núcleos de Atenção Psicossocial (NAPS), os quais são unidades de atendimento intensivo e diário aos portadores de sofrimento psíquico grave.

De acordo com Benedito Bezerra, no Brasil, existem poucos profissionais capacitados para lidar com os usuários de drogas. "Inicialmente, vamos capacitar todos os profissionais da Região Metropolitana de Belém. Posteriormente, ampliaremos a ação para todo o Estado do Pará", afirmou Benedito Bezerra.

Frentes – O Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas vai investir um total de R$ 410 milhões em ações de saúde, prevenção ao uso de drogas, assistência e repressão ao tráfico. O Plano está dividido em várias frentes de trabalho que terão como parceiros os governos estaduais, municipais e a sociedade civil.

No Pará, a ação inicia com um projeto de extensão da UFPA para a capacitação de profissionais da área da saúde. O objetivo é prepará-los para  lidar com os usuários e seus familiares.

A fase seguinte contará com a participação dos governos estadual e municipal para a implantação de novas unidades de acolhimento e a ampliação do número de leitos para o atendimento dos casos que necessitem de internação em hospitais gerais e em unidades do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). "É fundamental que o Ministério da Saúde e os Estados, em conjunto com as universidades, continuem com o incentivo para que os profissionais da área da saúde possam ter condições de desempenhar bem suas atividades", enfatizou Benedito Bezerra.

Além da saúde, o Plano envolve a área de Segurança Pública dos Estados, com levantamento dos pontos de venda e de distribuição, e ainda o trabalho de prevenção ao uso de drogas. "Ainda não temos um estudo específico sobre a situação do consumo de crack e este Plano já é um trabalho de levantamento acerca de como anda o consumo da droga no Brasil", explica o professor.

Efeito tem curta duração e é devastador

O crack é seis vezes mais potente que a cocaína e, consequentemente, provoca um efeito ainda mais devastador. Em apenas 10 segundos, o usuário já começa a sentir seus efeitos, como euforia, respiração e batimentos cardíacos acelerados, seguido de depressão, delírio e desejo por novas doses.

A droga é composta de cloridrato de cocaína (cocaína em pó), bicarbonato de sódio ou amônia e água destilada. Vendido em forma de pequenas pedras, fumadas em cachimbos, o crack é mais barato que a cocaína. Seu efeito tem curta duração, o que leva o usuário a consumir maiores quantidades, provocando rápida dependência física e até a morte por sua ação fulminante sobre o sistema nervoso central e cardíaco. "O crack torna-se mais perigoso, porque, como impregna muito mais rápido no organismo, deixa uma marca mais profunda e, por isso, a tendência de recaída é bem mais frequente", afirmou o psiquiatra Benedito Bezerra, que, ao longo de sua prática profissional, tem dado assistência a pacientes com transtornos psíquicos decorrentes do uso de drogas.

comentários (13)
Congratulações
escrito por Marilia Ferreira, junho 07, 2011
Excelente! É de grande valor ter nossa Universidade como participante em tal parceria.
Droga
escrito por Messias de Oliveira Babosa, junho 07, 2011
Muito bom, acho excelente, esse travalho que vai ser feito em prol dos viciados, já que os próprios governos não tomam iniciativa, os profissionais da área de "saúde" precisam dar esse apoio à sociedade que está precisando urgente de uma solução. Quem sabe com essa iniciativa, os governos comecem a fazer parcerias com entidades não governamentais; e mostrar seu potencial incentivo no combate a esta desgraça que assola o mundo inteiro.
Pesquisa e Desenvolvimento social!!
escrito por Everton Cristo de Almeida, junho 08, 2011
Como parar as drogas mais nocivas ao homem?

Bom, ninguém tem coragem de fechar a fábrica da Coca-cola, afinal milhões de usuários já estão viciados e ela faz a alegria da galera em todos os momentos de sua vida até vc morrer de Diabetes!!
Mas deixanda as ironias de lado, como faremos para acabar com a festa dos grandes traficantes que plantam e exportam essa droga debeixo do nariz de autoridades?? Tudo começa nos andes onde a planta que dá origem à essa droga é cultivada. Da família das Erythroxylaceae, seu nome científico é Erythroxylum coca. Nativa da Bolívia e do Peru, porém já disseminada em outros países de climas semelhantes aos de lá. As populações tradicionais e outros interessados no assunto, cultivam essa planta, que já era utilizada a muito pelos povos pré-colombianos, tem um poderoso efeito de oxigenação em locais harefeitos, ela hage no sangue e mantém o corpo mais vigoroso em situações adversas. O homem, com toda sua Espertise, consegui isolar seu princípio ativo e combinar com outras drogas que por fim culminaram nessa devastadora situação atual. Mas não desanimemos, ela ainda perde para Papaver somniferum L., a conhecida Papoula de onde se extraem o ópio, que refinada vira Heroína, devastou os EUA nos anos 60 e 70. Como faremos para impedir, será que temos que aprender com os EUA, ou já estamos prontos para tomar nossas próprias medidas??? A guerra não acabou e nunca vai acabar. O homem é Sapiens, não criaram o mosquito da Dengue transgênico OGM, que ao cruzar com a fêmea produz indivíduos estéreis, porque não criar uma variedade que iniba o princípio ativo da coca, tudo é possível. O problema é que brincar de criador sempre dá problema, com certeza vai ter um monte de ativista cheirador que vai protestar, sem contar com as autoridades que são coniventes e que querem mais é que a sociedade passe por uma seleção natural, quem se viciar tá ferrado!!!! Ou gasta-se masi dinheiro para recuperação de viciados, que buscam algum lugar ao sol e à sociedade. Pensem bem na pesquisa, essa poderá ser nossa melhor opção!!
muito boa iniciativa
escrito por josino leandro de souza junior, junho 12, 2011
queria parabenizar a ufpa por essa iniciativa,queria saber como posso obter informaçao,quando começa o atendimento.
Colaboradora
escrito por HAYDEE FONSECA, julho 20, 2011
Gostaria de fazer parte dessa equipe como colaboradora. Como posso obter informações. Sou funcionaria da UFPA.
Quem perde nesse jogo
escrito por HAYDEE FONSECA, julho 20, 2011
Essa iniciativa da UFPA foi excelente, chega de ver tantas pessoas precisando de atendimento e sem condições para custear o tratamento. Essa é uma situação onde todos ganham: os traficantes, quem distribui as drogas e quem tem casa de recuperação. Quem perde e somente o usuário.
Geofísico, Prof. Dr.
escrito por João Carlos Ribeiro Cruz, julho 23, 2011
Parabenizo toda a equipe de profissionais envolvidos nessa excelente iniciativa da Ufpa! Gostaria de continuar recebendo informações sobre o assunto.
...
escrito por Alexandre Ataíde, julho 26, 2011
Ótima notícia! Fico contente com projetos dessa magnitude. A atenção ao usuário de crack em todas as instancias deve dispor desse cuidado. Existe uma demanda psicológica, médica e social para que essa questão seja enfrentada de forma significativa. Na minha concepção a preocupação do programa é fundamental, quando cita um acompanhamento não só do usuário, mas também do corpo familiar dentre outras medidas de caráter social. Vejo que esse investimento deve ser permanente, afinal são gerações e gerações afetadas, portanto não podemos lidar com o problema em momento algum com ingenuidade. Torcendo pelo programa. Eu também gostaria de saber, se essa preparação - projeto de extensão, está restrito aos estudantes da UFPA ou se outros estudantes, de outras instituições de ensino, podem participar do programa de treinamento de atenção ao usuário de crack e as famílias?
Ajuda Urgente
escrito por Ronaldo Lima Miranda, julho 26, 2011
Algo tem que ser feito no sentido de alertar as pessoas para o uso de drogas.A UFPA está de parabéns, porque enquanto existem passeatas pró-maconha,a ufpa alerta para o efeito nocivo e destruidor das drogas.
PRECISAMOS FALAR SOBRE DROGAS
escrito por ANDRESA COSTA CARVALHO, julho 27, 2011
Primeiramente parabéns pela iniciativa. Penso que drogas ainda é um assunto cheio de tabus. Devemos falar de drogas em casa com as crianças de forma aberta e clara, os professores devem ser preparados também para debater com os alunos e também nas igrejas. É necessário uma mobilização social sem medo e sem tabus, porque os aliciadores e traficantes, com certeza, não terão nenhum problema de oferecer drogas as nossas crianças, adolescentes e jovens.
A droga é mais que um vício,é uma doença.
escrito por Daniela Souza, agosto 06, 2011
Olá, estou feliz pela iniciativa.
Tive um irmão que viveu anos nessa situação.
Tenho uma amiga que perdeu quatro filhos para as drogas aqui no bairro da Terra Firme.

Gostaria muito de participar dessa equipe, me sentiria orgulhosa em poder trabalhar em prol de pessoas que realmente precisam.

Já não era sem tempo.
escrito por Raimundo Nunes, outubro 13, 2011
Parabéns, nos anos 80 do século passada um grupo de estudantes da UFPA organizou um debate sobre o uso de drogas, debate que iria ocorrer no auditório do setorial básico, foi barrado pela repressão. Os organizadores e um professor, convidado ao debate, foram processados. Naquela época crack era um jogador de futebol habilidoso. Tomara que a iniciativa não fique só no papel. Sucesso.
AS DROGAS E OS PROBLEMAS SOCIAIS CAUSADOS
escrito por EDSON XAVIER NEVES, janeiro 10, 2012
é de muito importancia o trabalho que a ufpa desenvove no combate as drogas em gerais, e eu como lider comunitario da associação de moradores e estudante de pedagogia da ufpa em abaetetuba e morador da comunidade moara e jerusalem em aguas lindas, ananindeua, solicitamos a vossa parceria para que em parceria possamos realizar trabalhos de concientização de nossos moradores com relação ao uso de drogas, pois em nossa comunidade estamos a merçê desse mal onde a nossa juventude está sendo conrrompida pelo uso indiscriminado de drogas.portanto essa iniciativa da ufpa só vem beneficiar a divulgação e possivelmente a diminuição e até a erradicação do consumo desta imundice que são as drogas como crak, maconha, cocaina e etc e eu como educador posso contribuir com esse trabalho social.

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