Pará tem alto índice de câncer uterino PDF Imprimir

Informações sobre o exame são repassadas nas
unidades municipais de saúde

por Moenah Castro
foto Karol Khaled


O tipo de câncer que mais atinge as mulheres paraenses é o segundo com maiores índices em todo o Brasil. O câncer de colo do útero (CCU) pode passar despercebido por bastante tempo, pois não apresenta sintomas em sua fase inicial. Mas pode alcançar níveis de gravidade em que a única alternativa de tratamento é a retirada do órgão.

A maior arma para combater a doença é o exame Preventivo do Câncer de Colo Uterino (PCCU). Por isso, o Ministério da Saúde recomenda que toda a mulher faça esse exame, anualmente, a partir do início da sua vida sexual. Mas, no Pará, apenas 30% das mulheres seguem essa recomendação. O câncer de colo do útero é o segundo mais comum entre as mulheres em todo o mundo, ficando abaixo, apenas, do câncer de mama. De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), a cada ano, surgem 510 mil novos casos da doença no Brasil e a maioria deles, na Região Norte.

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece o exame gratuitamente, não há contraindicação e o resultado sai em duas semanas. A única recomendação é que a mulher não tenha mantido relação sexual nas últimas 72 horas e que não esteja menstruada, pois no exame coleta-se a secreção vaginal, que será analisada em laboratório. Mesmo com a oferta gratuita, o Pará é o único Estado brasileiro em que esse tipo de câncer é o mais comum. Por isso professores e estudantes da Universidade Federal do Pará estão analisando o serviço em unidades básicas de saúde e pesquisando ações que possam solucionar esse problema. Eles apostam na informação para aumentar a procura pelo exame.

Várias campanhas de conscientização são feitas anualmente. O exame é rápido e gratuito, portanto a melhor arma para combater a doença. Se detectada em estágio inicial, a lesão do câncer pode oferecer 100% de cura a paciente, com tratamento rápido, fácil e eficaz. Não há necessidade de quimioterapia, apenas um tratamento cirúrgico pequeno. Liele Gonçalves, bolsista do Projeto, afirma que “a falta de informação das mulheres é o que mais contribui para esses altos índices. Até entre as mulheres que o fazem, há as que não sabem ao certo porque estão fazendo."

Orientação na sala de espera

Sob a coordenação da professora Isabel Rosa Cabral, foi implantado na UFPA, no início de 2009, o Programa de Educação pelo Trabalho para Saúde (PET-Saúde), em convênio com a Secretaria Municipal de Saúde de Belém. O Programa tem equipes multiprofissionais promovendo educação e pesquisas relacionadas à atenção primária à saúde. Participam estudantes e professores dos cursos de Biomedicina, Enfermagem, Farmácia, Medicina, Nutrição, Odontologia e Psicologia.

Ao todo, atuaram cerca de 90 estudantes da graduação, divididos em três grandes grupos, sendo cada um com seis preceptores, que são funcionários de Unidades Municipais de Saúde (UMS) e um tutor, professor da Universidade. Os grupos atuaram nas Unidades Municipais de Saúde (UMS) do Jurunas, do Guamá, da Terra Firme, da Cremação, da Condor, do Riacho Doce, do Parque Amazônia I e da Pirajá.

Um desses grupos está trabalhando para traçar o perfil epidemiológico, microbiológico e citológico cérvico-vaginal de mulheres atendidas nas UMS dos bairros do Jurunas e Guamá. O objetivo é gerar informações para formulação de novas estratégias, que venham aumentar a cobertura do PCCU em Belém e, também, realizar ações educativas com o intuito de incentivar a procura pelo exame.

Utilizando as salas de espera das unidades de saúde, a equipe conversa com a população e apresenta o Projeto. Após a distribuição do material educativo e de uma breve palestra sobre a prevenção de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e do câncer de colo uterino, é feito o convite para que as mulheres interessadas participem do Projeto. Elas respondem a um questionário com 47 questões, que, posteriormente, irão compor o perfil epidemiológico, microbiológico e citológico cérvico-vaginal de mulheres atendidas. “A aceitação é muito grande, a população gosta do nosso trabalho”, diz a coordenadora.

Cuidados com higiene pessoal

Analisando os questionários, já se podem ver dados alarmantes: mais de 50% das mulheres não usam camisinha em suas relações sexuais. Além disso, as mulheres dizem não ver relação do uso de preservativo com a prevenção do câncer, o que reforça ainda mais a necessidade de políticas públicas de informação e conscientização. Cerca de 90% dos casos de câncer de colo uterino têm origem nas lesões causadas pelo vírus papiloma humano, o HPV. E o vírus é transmitido principalmente por relação sexual.  As informações obtidas pelos questionários estão sendo sistematizadas e, após análise, subsidiarão as ações da Secretaria de Saúde de Belém.

São mais propensas a ter esse tipo de câncer as mulheres que iniciam muito cedo a atividade sexual, possuem muitos parceiros, são fumantes, fazem uso da pílula anticoncepcional por muito tempo e não têm cuidado com a higiene.  "Só no Bairro  Guamá, moram mais de 400 mil mulheres e a maior unidade de saúde do bairro distribui apenas 30 fichas por dia, o que, com certeza, não é suficiente", comenta Isabel Rosa Cabral.

Danuza Pereira, usuária do SUS, reclama da falta de ações educativas nas unidades de saúde, “a gente não recebe nenhuma informação. Mal sabemos o dia que deve buscar o resultado e para quem devemos encaminhá-lo. É muito bom quando explicam tudo direitinho”.

Dados preliminares foram apresentados pela bolsista Liele Gonçalves, aluna do curso de Biomedicina, na 12ª Jornada de Extensão organizada pela Pró-Reitoria de Extensão da UFPA, no fim do ano passado. Ela venceu o Prêmio Jovem Extensionista, na modalidade pôster, e o Programa PET-Saúde/UFPA-Belém recebeu aprovação para manter suas atividades por mais dois anos.

Muitas doenças podem ser prevenidas com pequenas mudanças nos hábitos de higiene pessoal. Isso garante a eficácia de projetos educativos que ensinam a população a cuidar da sua saúde e custam bem menos aos cofres públicos do que tratar doenças complexas, como o câncer.

Publicado em Agosto de 2010

comentários (9)
Saúde.
escrito por Mauricio Maia Matos, agosto 11, 2010
Hoje se discute muito esse assunto e a sociedade precisa ser informada desse fato.Se todos tivesem informações como essa evitariamos um pouco a incidência dessa molestia!
Descaso.
escrito por Mônica Araújo, agosto 19, 2010
Realmente, esse problema foi bem colocado. A falta de informação atua como principal vilã na prevenção dessas doenças. Mas o governo, infelizmente não se preocupa. A Universidade precisa pensar isso e propôr melhorias.
lê isso vale a pena!!!!
escrito por Regina Lima, agosto 19, 2010
realmente vc esta de parabens. pois para quem le essa informaçao passa a ter mas cuidado com a sua saúde. e se previnir que e o melhor de tudo isso. ok
cancer do colo uterino e dst
escrito por JORGE OLIVEIRA VAZ, agosto 20, 2010
excelente trabalho preventivo e de atenção primaria á saude da mulher,porem precisamos avançar mais principalmente nas doernças de transmissão sexual e na gravidez precoce.JORGE OLIVEIRA VAZ.PROFESSOR ADJUNTO DE GINECOLOGIA E OBSTETRICIA DA UFPA.
Parabéns
escrito por Dr. Maurício Borges, agosto 24, 2010
Brilhante Projeto, Maravilhosa iniciativa. São ações como estas que apontam os rumas que uma instituição, como a UFPA, deve tomar visando atender as finalidades para as quais foi pensada. Parabéns mais uma vez.
alerta
escrito por alcilene silva, agosto 25, 2010
campanha como essa é muito importante,para que sejam quebrados tabus que muitas mulheres ainda tem por falta de esclarecimento.
parabéns pelo projeto
escrito por luciane ribeiro, agosto 25, 2010
são essas iniciativas que fazem a diferença numa sociedade, a UFPA está de parabéns pelo projeto, esse sim é o verdadeiro papael da universidade que mais uma vez se mostra a serviço da população..
SEMENTES
escrito por Mário Cláudio, agosto 30, 2010
Ótimo trabalho feito pelos colegas, que possamos estar sempre juntos informando as comunidades ,e esclarecendo as duvidas ,que por incrível que pareça ainda são muitas,pois somente desta maneira conseguiremos ver os avanços na área da saúde,precisamos informar esse é o nosso papel.PARABÉNS à todos aqueles que lutam para levar esse esclarecimento,e em especial aos que fazem parte do projeto.
parabéns
escrito por Ana, agosto 31, 2010
Essa parceria entre universidade e comunidade deve ser permanente tanto nos setores de saúde como também na área social, pois irá esclarecer a comunidade mais carente e ajudará no crescimento profissional do acadêmico e consequentemente em melhorias para todos.

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