Imprudência é causa de acidentes PDF Imprimir

Entroncamento: 20 primeiros quilômetros da BR-316
já foram considerados os mais perigosos do País

por Jéssica Souza
foto Wagner Meier

 

O trânsito nas rodovias federais brasileiras mata, por acidentes de veículo ou atropelamentos, um número superior a 40 mil pessoas por ano. O trecho correspondente aos 20 primeiros quilômetros da BR-316, no Pará, por exemplo, já foi considerado como o intervalo onde ocorrem mais acidentes nas BRs de todo o país. Esses são alguns dos dados levantados pelas pesquisas de integrantes da Polícia Rodoviária Federal, que concluíram, recentemente, na Universidade Federal do Pará, a especialização em Segurança Pública e Gestão da Informação, coordenada pelo professor Wilson José Barp, docente do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UFPA.

As pesquisas resultaram em monografias que abordaram estatísticas de acidentes, multas aplicadas e mortes ocorridas, do quilômetro zero ao 20 da BR-316, no ano de 2008. De acordo com as informações levantadas e analisadas pelo especialista Irlando Lopes, os tipos de acidentes que mais ocorrem neste trecho da rodovia, que corresponde à saída da cidade de Belém, são colisões laterais e colisões traseiras, cujo principal fator contribuinte é a falta de atenção dos condutores. Notou-se, ainda, que a grande maioria dos acidentes ocorre próximo aos semáforos e retornos, o que também demonstra a imprudência por parte de condutores e pedestres  revelando a precariedade da sinalização existente no local.

É o que também concluiu Henrique Lopes, cuja monografia tratou das estatísticas de multas aplicadas entre os quilômetros zero e 20 da BR-316. "Basicamente, há falta de planejamento e investimentos para a melhoria da rodovia. O trecho em questão possui um grande fluxo de pedestres, ciclistas e veículos. A população não tem consciência da importância do uso da passarela; existem semáforos - com pequenos intervalos -dividindo a rodovia, o que impede o fluxo contínuo dos veículos; há necessidade da remoção dos trabalhadores da atividade informal, os quais lotam as calçadas nas áreas mais próximas ao Entroncamento; além da melhoria do transporte público e das mudanças no transporte alternativo, que não segue regras. Somam-se a isso a imprudência e a falta de atenção dos condutores e pedestres”.

Mais de três mil acidentes em rodovias paraenses

Conforme dados do Departamento de Polícia Rodoviária Federal (DPRF), no Brasil, ocorreram 138.175 acidentes, em 2008, tendo como saldo um total de 6.836 mortos, somente nas rodovias federais. Segundo dados referentes ao mesmo período, levantados pelo especialista Erlon Andrade, no Pará, foram 3.159 acidentes, que lesionaram 1.524 pessoas e tiveram como saldo um total de 166 mortos, sendo o maior percentual, neste total de vítimas, de condutores do gênero masculino.  Dentro desse universo de dados, o trabalho deteve-se em quantificar o número de mortos ou de vítimas de acidentes de trânsito na BR-316, totalizando 69 acidentes com 76 mortos, em toda a extensão da rodovia.

A partir daí, buscou-se verificar os tipos de acidentes com maior percentual de vítimas fatais e suas particularidades. "Traçando o perfil das vítimas de acidentes na BR-316, destacamos as seguintes informações: 78,95% dos mortos são do gênero masculino, a faixa etária informada com maior incidência de óbitos está entre 20 e 29 anos, o que representa 27,63% dos casos, e a vítima fatal, em 59,21% dos casos, era o condutor do veículo. Os tipos de acidentes que mais mataram foram colisão com bicicletas, com 19 mortos; e atropelamento de pedestres, com 16 vítimas fatais", revela o pesquisador.

O trabalho traz, ainda, uma sequência de tabelas e gráficos cruzando as mortes com outras informações, tais como: mês, dia da semana, tipos de acidentes (colisões, atropelamentos, capotamentos, entre outros), horário e perímetro (km da BR onde aconteceu o acidente). De acordo com Erlon, essas informações dão subsídios ao planejamento da PRF, que desencadeia operações incisivas, visando ao combate das causas dos acidentes. "Mas a conduta diária neste trânsito enlouquecedor é de responsabilidade, sobretudo, nossa, condutores. E é essa conduta que vai ajudar a salvar vidas”, afirma o pesquisador em um tom de alerta sobre as consequências que podem advir da direção irresponsável.

comentários (6)
Transito
escrito por Luiz Sergio Sousa do Nascimento, abril 16, 2010
O diagnóstico do trânsito paraense realmente está caótico, cada dia que passa fica mais complicado, faltando, também, educação para ambas as partes envolvidas (Pedestre e Condutores em geral).
Gostaria que este mesmo trabalho tambem fosse realizado na Cidade Universitária, pois todo os dias tem acidente envolvendo pedestres e veiculos, causando grandes transtorno no trânsito e complicações para a Segurança da UFPA.
acidente de transito
escrito por evandilson silva, abril 18, 2010
pode-se cogitar que a irresponsabilidade no transito seja do condutor, mas é imprescindivel que se julgue as autoridades nesse rumo. que se diga que todo cidadão deve ser penalizado quando de seu erro, porem o estado erra todo dia e ninguem o pune. senão vejamos um exemplo classico: se eu passo mais de vinte minutos numa fila de uma empresa privada, ela (empresa) poderá ser multada; pois bem, e se eu passo uma hora numa empresa estatal? isso pode acontecer???! numquinha de nada!! do mesmo jeito é no transito.
velocidade
escrito por amadeu sousa, abril 20, 2010
A falta de atenção dos condutores é somente um dos fatores, são necessário mudanças estruturais, a frota de veículos é crescente e as vias de acesso para Belém não acompanham esse aumento. Medidas paliativas como o controle de velocidade, como já aconteceu na Rod. Augusto Montenegro ajudariam, mas não resolveriam.
Cadê os agentes da CTBel
escrito por Adalto Herculano Guesser, maio 02, 2010
E o que fazem os agentes de trânsito da CTBel? No que trabalham esses profissionais, pois o trânsito de Belém em determinados momentos do dia é caótico. Muitas das situações extremas do trânsito de Belém poderiam ser minimizadas se houvesse um controle através da atuação de agentes de trânsito, controlando o fluxo, advertindo os motoristas imprudentes, etc. Mas, cadê os agentes? Quando trabalham, ficam as escondidas atrás de uma árvore, ou outra, na Avenida Nazaré ou na Brás de Aguiar, caçando multas. O trabalho preventivo, de fato, não existe, existe apenas o repressivo/punitivo, sempre, como já falei, às escondidas, pois é raro ver agentes de trânsito nas ruas patrulhando, intervindo. Lembro-me de andar por outras cidades grandes do Brasil e do exterior e ver nas principais avenidas e trechos problemáticos, agentes de trânsito com apitos na boca e gesticulando freneticamente para orientar os motoristas, evitando os gargalos e engarrafamentos causados pelas constantes imprudências de motoristas "espertinhos", que num afã egoísta só pensam na sua condição individual, desrespeitando toda e qualquer norma de trânsito. Funcionaria muito bem, também, para evitar os transtornos causados pelas constantes paradas em "fila dupla", uma prática que se legitimou em Belém como aceitável, pelo simples fato que, "todo o mundo faz". Existem ruas em Belém que o problema do tráfego é causado apenas por motoristas que resolvem para em fila dupla, que somados com os motoristas de ônibus que param em qualquer lugar, às vezes até atravessados ocupando duas faixas, transformam o trânsito nas principais avenidas um verdadeiro caos. Aliás, motoristas de ônibus e de taxi em Belém parece que se esquecem de todo o código de trânsito no momento que iniciam a jornada de trabalho. A somatória de imprudências e de desrespeito pela vida dos passageiros e transeuntes é tanta, que o Ministério Público já demorou em intervir nesses casos. Mas, se tudo isso acontece é por nunca encontrarmos a CTBel atuando naquele que deveria ser o seu papel fundamental, o de planejamento e de orientação. Será que o Secretário que assume a CTBel tem respostas para essas questões, que não a tão famosa: "falta de contingente". Pra que aumentar o contingente, se o que existe não cumpre o papel que lhes cabe?
Transito
escrito por urillo, maio 03, 2010
parabens pela materia... muito boa.
parabens
escrito por victoria soares hope da silva , novembro 07, 2011
meus parabens voces tem uma materia muito boa

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