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JORNAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ . ANO VI Nº 65, OUTUBRO 2008
MEIO AMBIENTE

Laboratórios vão adotar a Química Verde

Projeto Pedagógico da Licenciatura em Química prevê nova metodologia
Hellen Pacheco

ELISEU DIAS / AGÊNCIA PARÁ
Os jovens são a esperança dos povos indígenas na luta pelo acesso ao ensino e atendimento de saúde de qualidade.
Objetivo é substituir a prática do "poluir-e-então-limpar" dos dias de hoje

Agentes poluentes, emissões de gases e resíduos industriais ainda são depositados diariamente na atmosfera, apesar das pressões internacionais em defesa do meio ambiente. Entretanto, já é possível observar que pesquisadores e industriais vêm tentando remediar os impactos ambientais causados, adotando processos químicos que utilizem produtos e condições menos poluidoras.

A iniciativa mais recente e inovadora, nessa conjuntura, é o investimento na denominada “Química Verde”, uma química sustentável, desenvolvida como alternativa à prática do “poluir-e-então-limpar”, empregada pela maioria das indústrias e dos laboratórios. Ela propõe uma busca por fontes renováveis que gerem energia ao mesmo tempo em que são usadas como matéria-prima industrial.

Atualmente, não só as indústrias como também as instituições de ensino e pesquisa, na área de Química, perceberam que o mercado necessita de profissionais capazes de buscar o desenvolvimento e a implementação de técnicas que visem reduzir as taxas de poluição e, conseqüentemente, de custos. E nessa perspectiva, a Universidade Federal do Pará (UFPA) pretende atuar por meio do projeto “Complementação do novo projeto político-pedagógico do curso de licenciatura em Química: uma proposta em Química Verde”, aprovado no edital do PROINT 2008-2009.

Coordenado pela professora doutora Regina Sarkis Müller, da Faculdade de Química, o projeto tem por finalidade a inserção de tópicos sobre a Química Verde e conceitos laboratoriais no currículo dos seus cursos de graduação em Química, contribuindo para a formação de profissionais mais adequados às exigências e mudanças do mercado. Também serão aplicados nessas disciplinas mecanismos que reduzam, principalmente, a quantidade de reagentes utilizados e resíduos químicos formados, e que garantam maior segurança e menos poluição nas atividades ocorridas em nível laboratoriais.
“Há muitas formas de reduzir a produção de resíduos tóxicos, diminuindo a contaminação, mas não é fácil. Pois, para isso, é necessário o desenvolvimento de metodologia analítica, e para fomentar este tipo de pesquisa, são imprescindíveis recursos financeiros”, explica a coordenadora do projeto.

Segundo a pesquisadora, em todo o Brasil, muitos cursos de Química possuem a disciplina ‘Química Ambiental’ em seus currículos. Entretanto, poucos trabalham os conceitos laboratoriais sobre prevenção da geração de subprodutos indesejáveis e tóxicos ao ambiente, princípios da Química Verde. Em sua maioria trabalham situações em que a poluição já foi estabelecida, daí a necessidade de levar o ensino da Química Verde para as aulas de graduação e utilizar metodologias que evitem ao máximo a produção de resíduos tóxicos. “A proposta é você gerar processos que não poluam, uma vez que é mais barato do que produzir resíduos tóxicos para depois tratá-los”, afirma.

Integrado pela professora Regina Müller e por representantes das disciplinas práticas do curso, o projeto ainda está na sua etapa inicial: a de implantação. O prazo será de dois anos para a execução. Os pesquisadores envolvidos deverão readaptar suas práticas de acordo com os princípios da Química Verde. “Para nós, é um projeto desafiador. Portanto, necessitamos de tempo e dedicação para que a metodologia seja desenvolvida, testada e então comprovada. Só a partir de então, poderá ser utilizada”, afirma Müller..

“Consciência fará a diferença”

Superada a primeira etapa, que culminou com a elaboração do projeto, agora, cada professor envolvido no processo terá que desenvolver roteiro de práticas em laboratório, utilizando a Química Verde de acordo com a disciplina experimental em que trabalha. As novas práticas terão diminuídas as quantidades de reagentes utilizados e, por conseguinte, dos resíduos gerados, os experimentos nos quais reagentes muito tóxicos são utilizados serão substituídos. Será feita a recuperação dos solventes utilizado,  inclusive da água, ou seja, haverá a otimização das metodologias tradicionais, as quais serão implantadas na segunda etapa.

Segundo a coordenadora, essa iniciativa, sem dúvida, produzirá um acervo de conhecimentos imprescindíveis aos profissionais de química que futuramente atuarão no ensino médio e superior, indústrias e na área de pesquisa. “Incentivar a leitura sobre o assunto, após a exposição em sala de aula da importância da Química limpa, solicitando que comparem a nova metodologia proposta com a usada tradicionalmente, é parte constituinte do projeto”, declara.

A contribuição da implementação desse projeto pedagógico com uma proposta em Química Verde para a UFPA reside nos avanços em relação à formação dos licenciados em Química e de profissionais de outras áreas afins, uma vez que serão profissionais conscientes da sua responsabilidade social enquanto geradores de produtos essenciais para a vida em sociedade e cidadãos preocupados e ativos na diminuição dos impactos ambientais.

Os 12 mandamentos da Química Verde

1. Evitar a produção de resíduos é melhor do que tratá-los ou “limpá-los “após sua geração.
2. Deve-se procurar desenhar metodologias sintéticas que possam maximizar a incorporação de todos os materiais de partida no produto final.
3. Sempre que praticável, a síntese de um produto químico deve gerar e utilizar substâncias que possuam pouca ou nenhuma toxicidade à saúde humana ou ao ambiente.
4. Os produtos químicos devem ser desenhados de tal modo que realizem a função desejada e ao mesmo tempo não sejam tóxicos.
5. O uso de substâncias auxiliares (solventes, agentes de separação, secantes ,etc. )precisa, sempre que possível, tornar-se desnecessário e, quando utilizadas, estas substâncias devem ser inócuas.
6. A utilização de energia pelos processos químicos precisa ser conhecida pelos seus impactos ambientais e econômicos e deve ser minimizada. Se possível os processos químicos devem ser conduzidos à temperatura e pressão ambientes.

7. Sempre que a técnica seja economicamente viável, a utilização de matérias–primas renováveis deve ser escolhida em detrimento de fontes não-renováveis.
8. A derivação desnecessária, (uso de grupos bloqueadores, proteção/desproteção, modificação temporária por processos físicos e químicos) deve ser minimizada ou, se possível, evitada, porque estas etapas requerem reagentes adicionais e podem gerar resíduos.
9. Reagentes catalíticos (tão seletivos quanto possível), são melhores do que reagentes estequiométricos.
10. Os produtos químicos precisam ser desenhados de tal modo que, ao final de sua função, se fragmentem em produtos de degradação inócuos e não persistam no ambiente.
11. Será necessário o desenvolvimento futuro de metodologias analíticas, que viabilizem um monitoramento e controle dentro do processo, em tempo real, antes da formação das substâncias  nocivas.
12. As substâncias, bem como a maneira pela qual uma substância é utilizada em um processo químico, devem ser escolhidas, a fim de minimizar o potencial para acidentes químicos, incluindo vazamentos, explosões e incêndios.

Jornal Beira do Rio
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